domingo, maio 13, 2007

Mestre Isplinter Prega

Aparentemente, 500.000 peregrinos são esperados hoje em Fátima. Deus deve estar danado.

Veja: 500.000 pessoas empenharam-se numa deslocação esforçada (nuns casos mais que noutros) ao Santuário. Agora pense: no que poderia esse esforço resultar se não lá fossem? Mestre Isplinter faz as contas, muito por alto.

Ora, 500.000 pessoas... Se fizermos uma média de 5 euros de produtividade por hora, dá 2.500.000 euros por hora perdidos. Faça-se de conta que só estão disponíveis as 8 horas de trabalho "clássicas" - dá 20.000.000 de euros num dia. Mas há quem esteja nisto há vários dias, isto já para não falar do tempo gasto com organizações de viagens, de "custos de substituição" (o tempo gasto por outras pessoas a fazerem tarefas que não teriam de fazer se os peregrinos não peregrinassem), etc. - vá, acrescentem-se mais 10.000.000 de euros, e não se fala mais nisso (talvez 20/30 milhões fossem números mais adequados).

Somem-se a estes 30 milhões de euros de perdas em horas de esforço despendidas, o dinheiro gasto com a peregrinação: se cada pessoa gastar em média 40 euros (Mestre Isplinter é muito poupadinho!), isso dá uns... 20 milhões. Vamos, portanto, em 50 milhões de euros, sempre a fazer as contas por baixo.

Somem-se agora os custos "de entidades", como os do Estado Português a pagar às forças de segurança e outros agentes estaduais para assegurar a gestão de multidões - questões não só relacionadas com segurança, mas com saúde, trânsito, etc. E não nos esqueçamos de todas as infra-estruturas que tiveram de ser criadas para acolher consistentemente um enorme evento. Isto são obras públicas, que como é sabido, sugam milhões (de contos, não euros), como um peregrino andarilho suga água mineral. Somemos a isto as despesas da Organização que dá pelo nome de Igreja Católica, que como devem calcular, com isto gasta uma pequena ninharia...
Bem, para estes "custos de entidades", e porque Mestre Isplinter é muito ingénuo nestas estimativas, estimem-se 50 milhões de euros (meros 10 milhões de contos - já houveram obras públicas que escorregaram mais que isto...).

Isto então dá um grand total de 100 milhões de euros. Coisa pouca - isso era o que o Benfica queria pelo Mantorras quando ele era titular...

Sabendo que existem muitos e graves problemas no Terceiro Mundo que poderiam ser resolvidos por quantias quase irrelevantes, apliquem-se agora esses 100 milhões numa dessas campanhas. Mestre Isplinter escolhe, a mero título de exemplo, a campanha da Thirst, em que a salvação de uma vida custa 5 euros. Ora então, 100 milhões de euros dá... 20 milhões de vidas (dois Portugais, Madeira incluída).

Mas poderá o leitor dizer: isso é tudo muito bonito, mas pode ser preferível ir rezar do que estar a salvar 20 milhões de vidas!

Mestre Isplinter propõe então que considere o ponto de vista de Deus (ou da Virgem, vai dar ao mesmo): "ora, você quer que Eu lhe faça algo, e em troca está-Me a propor não o salvamento barato de muitas vidas, mas sim engraxar-Me dizendo muitas vezes que Eu sou Grande, Misericordioso, etc., etc., e talvez andar longos quilómetros para Me convencer disso mesmo - em suma, você está a apelar para que Eu prefira ser vaidoso e queira ter gente a fazer grandes sacrifícios, a ver as pessoas a ajudarem outras pessoas".

Senhor Peregrino, à sua consideração. Em qual destas situações você acha que Deus estará mais satisfeito consigo: naquela em que você reza fervorosamente e mostra que marcha quase tão bem como a Susana Feitor, ou naquela em que você ajuda o próximo, poupando-o ao sofrimento e à morte?

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